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"Espetáculo" de corrupção afasta eleitor da política e aumenta abstenção

04/11/2016 às 09:48

A não participação de eleitores nas eleições municipais bateu recorde em 2016, tanto no primeiro quanto no segundo turno.
As abstenções, no 2º turno, dia 30, chegaram a 21,55%, batendo o índice de 2012 (19,12% do total de eleitores), que era o maior desde então. Os votos inválidos atingiram os maiores patamares desde 2000.
Nulos quase dobraram em relação à última eleição, passando de 4,81% em 2012 para 8,33% no segundo turno deste ano. Brancos tiveram leve alta, indo de 2,63% para 2,88%.
No primeiro turno, esses números já eram os mais altos desde 2000. Abstenções eram 17,58%, enquanto nulos eram 8,14%, e brancos, 2,87%.
 No primeiro turno, cerca de 25 milhões de brasileiros deixaram de votar – 17,5% do eleitorado, que é de 144 milhões de pessoas. Este é o maior índice registrado em um primeiro turno desde o ano 2000, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Os números não levam em conta os votos nulos e em branco, considerados inválidos. Nas eleições de 2012, em comparação, a abstenção tinha sido de 16,41%.
Não há dúvidas de que a classe política tem deixado a desejar na credibilidade, e quem acompanha o assunto mais de perto avalia que o desempenho das urnas este ano é consequência de um 'espetáculo' cada vez mais vergonhoso.
"Um espetáculo político que seria justamente um escândalo", diz Roberto Romano, professor de filosofia e ética da Unicamp. "Os políticos se julgam incólumes, se julgam capazes de fazer o que quiserem sem ter uma sanção negativa. Decoro parlamentar não é só não falar palavrão e usar um terno com gravata. É todo um sistema de comportamento que faz com que o representante respeite o representado e não meta a mão no seu dinheiro, por exemplo."
Na opinião do professor, o cidadão que se sente desrespeitado e se nega a votar ou a escolher um candidato pode até fazer disso uma forma de protestar, mas na prática, acaba transferindo a outros a responsabilidade de resolver sua insatisfação.
"Na vida e na política, tem um ditado que é importantíssimo: não existe espaço vazio. Se o espaço não é preenchido por pessoas honestas, pessoas que tenham retidão de caráter, boas intenções e que, ao mesmo tempo, tenham capacidade mínima de administração, evidentemente você vai ter o espaço preenchido por gente que não é assim", analisa Romano.
Políticos afundados em casos policiais como os do mensalão e da Operação Lava Jato desencorajam o eleitorado, mas também a dificuldade em participar repele o voto, diz Vera Chaia, cientista política e professora da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).
Também pesa no desestímulo ao eleitor a ideia de que todo e qualquer político é "farinha do mesmo saco". A mensagem é antiga, vem de um Brasil do século 19, explica o professor Romano, quando já se relacionava políticos de carreira à incompetência ou desonestidade.
Tanto para o professor como para a cientista política da PUC-SP, não adianta repreender o cidadão que se ausenta sem oferecer a ele um sistema político e eleitoral que dê mais chances às condutas democráticas.
"Acredito que, com o voto facultativo, os partidos vão ter de fazer com que o eleitor saia de sua casa para votar porque vai valer a pena, porque vão provar que podem fazer uma mudança na política e merecem seu voto. Atualmente, o eleitor só vai votar por obrigação", defende Vera Chaia.
Fonte: UOL eleições 2016
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Ao votar no 2º turno em Belo Horizonte, a ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal-STF, ao comentar sobre a quantidade de votos nulos, brancos e abstenções no primeiro turno das eleições municipais, disse: “O cidadão exerce seu direito de voto, e esse direito, por sua vez, lhe dá possibilidades de opção”.
Em Itajubá, de acordo com dados do TSE, o desinteresse dos eleitores também não foi diferente:
- Número de eleitores: 71.826.
- 14.733 não compareceram para votar, ou seja, a abstenção foi de 20,51% .
- Dos 57.093 que compareceram:  1.928 (3,38%) votaram em branco e  3.948 (6,92%) anularam o voto.
- Dos 57.093, que compareceram para votar, houve 51.217 votos válidos.
- Portanto, dos 71.826 eleitores de Itajubá, o total de 20.609 é a soma dos que não compareceram mais os que votaram em branco e os que anularam o voto. O que corresponde a 28,69%. Se o voto não fosse obrigatório, esse índice poderia ser maior, porque o índice de abstenção poderia ser maior ainda.
Fonte: TSE                                                                                       


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