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O dinheiro é a salvação ou a perdição dos governos corruptos?

28/10/2016 às 11:22

Transcrevemos, a seguir, o artigo do jurista e professor Luiz Flávio Gomes, publicado, com título acima:
O dinheiro é um meio ou se transformou em fim único e último da existência do humano? Vive-se para ganhar dinheiro ou ganha-se dinheiro para se viver? Qual seria a relação entre o dinheiro, os políticos e o poder? É possível ser político sem dinheiro? É possível ter muito dinheiro sem participar do poder? O dinheiro salva as campanhas (caríssimas) de muitos políticos; seria também a perdição deles, quando toda corrupção é exposta ao detergente do sol? Vamos aos 10 argumentos:
1. Dinheiro e vida formam um par inseparável. No princípio o humano só produzia o que consumia (daí a origem da palavra economia: oiko-nomia = governo da casa). Quando ele começou a produzir em excedência nasceram o mercado, o dinheiro, a economia coletiva, a estocagem, o comércio, o transporte etc.
2. O dinheiro é o motor da vida, da existência individual. E também da prosperidade coletiva. Também faz parte da política. Já dizia o livro de Eclesiastes (Qoelet): “Pecuniae oboediunt omnia” (Todas as coisas obedecem ao dinheiro; o dinheiro é poderoso).
3. O teólogo holandês Erasmo de Rotterdam (1466-1536) recorda que “pecunia anima miseris mortabilus” (o dinheiro é a vida dos mortais miseráveis). Ainda: “pecunia velut altera hominis anima” (o dinheiro é a segunda vida do humano). Sintetizando: o humano é, por natureza, venal. O Estado também o é. Cícero já dizia: “Robustissimus rei publicae nervus pecúnia est” (o dinheiro é o nervo das repúblicas robustas). Jean Bodin confirmou: “Nerfs [nervos] de la République”. A democracia não fica para trás. Do dinheiro todos necessitamos para viver e prosperar. Pecunia regina mundi. A questão é como ganhá-lo e o que fazer com ele?
4. Alguns se contêm e ganham dinheiro honestamente. Outros, porque venais no sentido negativo, se podem “tomam, roubam, furtam, afanam, malufam”. Aqui entram, particularmente, os políticos e alguns funcionários do Estado. Os que não podem afanar, se vendem, se corrompem. São venais, nesse sentido negativo, tanto os que corrompem quanto os que são corrompidos. Corromper é também afanar, roubar, tomar.
5. O mundo moderno é a confirmação de toda sabedoria histórica (acima sintetizada) retratada nos pensamentos dos fundadores na nossa cultura. A relação entre o dinheiro e o poder muda conforme cada momento. Hoje sustenta-se abertamente que o dinheiro se tornou um fim em si mesmo. Ganha-se dinheiro para alcançar mais dinheiro (os bancos fazem isso sem nenhum tipo de constrangimento). Nem por isso o dinheiro deixou de ser também um meio (um meio de ganhar a vida ou um meio de se perpetuar no poder, como muitos governantes fazem).
6. O dinheiro faz a riqueza. Mas nem toda riqueza é composta de dinheiro. Houve um tempo que o maior desejo era ser reconhecido com um título nobre. Muitos brasileiros compraram títulos de nobreza dos decadentes reis portugueses. Dava status ser nobre. O dinheiro em si era o meio para se alcançar posição social de destaque. Ser poderoso valia mais que a conta bancária. Embora sem conta bancária repleta fosse muito difícil ser poderoso (ou reconhecido como tal).
7. Houve também um período em que o dinheiro estava voltado para a produção. Comerciantes e industriais reempregavam o dinheiro ganho em suas atividades. Eles cresciam e a economia também crescia. O dinheiro, nesse tempo, ainda não estava a serviço da especulação em torno dele mesmo. Os países eram mais produtivos. A riqueza era mais útil socialmente. O capitalismo financeiro ainda não havia chegado. O dinheiro não era autorreferencial.
8. Hoje claramente o dinheiro se tornou um fim em si mesmo. Ele existe prioritariamente para gerar mais dinheiro (prioritariamente não mais para a produção, não mais para o comércio, não mais para a compra de títulos nobiliários etc.). Do vínculo entre o poder e o dinheiro algo de surreal está ocorrendo nas democracias venais: nelas o dinheiro é o meio para se exercer o poder e o poder é o meio de se fazer dinheiro.
9. Somados, dinheiro e poder produzem e reproduzem mais poder. A manutenção do poder depende de dinheiro e o dinheiro financia essa reprodução do poder para conquistar mais poder. O escândalo da Petrobras retrata com fidelidade tudo quanto acaba de ser dito.
10. Sendo assim, não há dúvida que o dinheiro é a salvação da manutenção do poder, porém, quando toda corrupção para conquistá-lo vem a público, o dinheiro se torna uma perdição para os governos corruptos (seja de direita, de esquerda ou de centro; seja central ou periférico; seja comunista ou capitalista). O dinheiro, que é a salvação num momento, pode se transformar em perdição. A cultura, a indignação, a Justiça, a revolta popular, as classes dominantes: elas é que definem o destino dos governos corruptos, que se deslegitimam quando descobertos com a boca e as mãos (normalmente com dez dedos) na botija.

Luiz Flávio Gomes : Jurista e professor. Fundador da Rede de Ensino LFG. Diretor-presidente do Instituto Avante Brasil.
Fonte: Jusbrasil


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