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Itajubá iniciou o século 20 como potência regional, mas viu seu domínio ruir no final

19/03/2019 às 15:17

Por Marco Antonio Gonçalves

Itajubá era a principal cidade sul mineira na primeira metade do século 20, mas a partir dos anos 70 e 80 foi ultrapassada por várias cidades e se viu estagnada

A cidade de Itajubá teve uma rápida evolução populacional. Desde sua fundação em 1919, o número de pessoas na cidade só fez aumentar. Em 1872, Itajubá tinha 23.871 habitantes, saltando para 28.540 em 1890, o que fez de Itajubá uma das mais prósperas vilas do final do império e início da república.

O Século XX começou com Itajubá tendo 29.941 em 1.900. O início do século passado foi um momento de grande expansão, desenvolvimento e progresso para Itajubá. É importante lembrar que o Instituto Eletrotécnico e Mecânico de Itajubá (IEMI), atual Universidade Federal de Itajubá (Unifei), nasceu neste período em 1913, por intermédio de Theodomiro Santiago. Em 1914, um filho da terra, embora nascido em Vargem Grande (atual Brazópolis) chegou à presidência da república. A influência política de Itajubá chegava a seu auge.

Quando completou 100 anos Itajubá mantinha ares de cidade modelo e referência de desenvolvimento para o Brasil. Em 1920, o município contava com 45.269 habitantes. É importante ressaltar que Delfim Moreira e Piranguçu faziam parte de Itajubá e concentravam metade deste contingente populacional.

Um repórter do Jornal O Globo que esteve em Itajubá em 1920 para visitar o IEMI relatou: "Itajubá é uma cidade remota do Sul de Minas, que surpreende pelo seu espírito de organização e já desenvolvida ideia de conforto moderno. Indo-se do Rio, chega-se ali após uma viagem até Cruzeiro, de 6 horas de trem. Em Cruzeiro, após ligeiro intervalo, a viagem é retomada por mais 7 horas, em subida constante das Serras de Itatiaia e Mantiqueira, nos trens da Sul-Mineira. Assim mesmo tão afastada, Itajubá já tem uma vida que surpreende aos habitantes das capitais. Admira o espírito da organização e zelo com que se apresentam ali os serviços públicos. É evidente que os seus poderes municipais se esmeram em tornar aquela cidade, um centro de atividade que possa oferecer conforto semelhante ao das grandes "urbs" modernas”, comentou.

“Quase todas as ruas são calçadas, e algumas apresentando boa pavimentação. Há avenidas rasgadas com preocupações estéticas - largas e arborizadas. A sua praça principal é um parque bem desenhado, e tão bem iluminado, que por momentos permite a ilusão, de estar num dos pequenos parques do Rio ou de São Paulo”.

O jornalista exaltou a limpeza da cidade. “A limpeza das ruas é mantida com um espírito de asseio que se nota em toda a sua população. Ali não se vê lixo atirado pelas ruas mais distantes do centro, ou pelas estradas, como é comum nas cidades do interior. E não é só. Em tudo se observa a preocupação persistente dos "diretores" de Itajubá, de torná-la uma cidade digna de nela viver-se, como em qualquer capital de Estado”

A Santa Casa era exemplo. “Demais, Itajubá ainda se desvanece com a sua Santa Casa, que é um estabelecimento que pode sofrer confronto, na opinião de médicos como o Dr. François Norbert, com as grandes casas de saúde do Rio. A sua sala de operações desperta entusiasmos. O médico observa que no Rio não havia um aparelho de anestesia geral tão completo, como o da Santa Casa de Itajubá. Além disso, a cidade cuida ciosamente da sua escola de odontologia, de sua escola normal, das escolas primárias. Por outro lado, há ainda suas fábricas e a grande atividade industrial e comercial da população. Tem também em construção, uma bela matriz”.

 

Consolidação

Itajubá continuou crescendo ao longo da primeira metade do século, ultrapassando outras cidades da região e se consolidando como a mais importante cidade do Sul de Minas. Em 1950, Itajubá tinha a oitava maior população urbana de todo o Estado, com 21.255 moradores dentro da cidade, o que elevava muito a influência da cidade por toda a região.

Segundo o anuário estatístico de 1955, o município de Itajubá possuía 43.251 habitantes, menos do que em 1920 porque Delfim Moreira já havia se emancipado, mesmo assim Itajubá era muito maior do que qualquer outra cidade do Sul de Minas. A segunda maior era Passos que tinha pouco mais de 36 mil habitantes.

Em termos de comparação, somente a cidade de Itajubá, sem contar os distritos de Piranguçu, Bicas do Meio (atual Wenceslau Braz) e Lourenço Velho, tinha 34.028 habitantes em 1955. Poços de Caldas, hoje a maior cidade da região, tinha na ocasião 27.110 habitantes. Pouso Alegre tinha 22.226 moradores e Varginha, 25.184.

Depois de passada a metade do século XX, Itajubá continuou crescendo, mas viu as outras cidades do Sul de Minas também crescerem. Itajubá rompeu a barreira dos 50 mil habitantes em meados dos anos 60.

 

Começo do declínio

Em 1970, Itajubá já não era a maior cidade da região. Ela foi ultrapassada por Poços de Caldas, que cresceu devido a grande guinada turística daquela cidade e também à expansão industrial. Enquanto Itajubá tinha 51.565 habitantes, Poços já contabilizava 57.565 moradores. Pouso Alegre ainda estava bem atrás, com 38.072 habitantes e Varginha tinha 43.628.

A partir dos anos 70, o crescimento de Itajubá diminuiu e viu Varginha e Pouso Alegre equivalerem em números de habitantes e de relevância na região. Em 1980, Itajubá tinha 60.684 habitantes e foi ultrapassada por Varginha que passou a ter 64.575. Pouso Alegre ainda se mantinha atrás, com 57.331.

Foi nas duas últimas décadas do século XX que Itajubá viu sua influência política e importância econômica diminuir drasticamente. Durante a década de 1980 que Pouso Alegre passou à frente de Itajubá. Em 1991, data do censo daquela década, Itajubá tinha 75.014 habitantes e Pouso Alegre já tinha 81.836.

Nos anos do fim do século passado, Itajubá não conseguiu mais eleger nenhum deputado federal e não conseguiu fazer nenhum político da cidade ter destaque a nível nacional.

A partir dos anos 90, Pouso Alegre dá um salto no número de habitantes, enquanto Itajubá fica estagnada. Na virada do século, em 2000, Itajubá já tinha 25 mil habitantes a menos que Pouso Alegre. Itajubá contava com 81.135 moradores e Pouso Alegre 106.776.

Na data do último censo, realizado em 2010, Itajubá havia crescido pouso mais de 9 mil habitantes, passando para 90.658, enquanto Pouso Alegre cresceu 24 mil, passando a ter 130.615.

Em 2018, a estimativa era que Itajubá tinha 96.389 habitantes, contra 148.862 de Pouso Alegre. Poços de Caldas continua sendo o município mais populoso da região, com 166.111 habitantes. Varginha tem 134.477. Itajubá ainda perde na região para Passos e Lavras.

 

 Motivos do declínio

Vários fatores podem explicar a expansão das outras cidades e a estagnação de Itajubá desde o fim do século passado. As explicações vão desde a política à geografia. Como foi dito, nenhum político itajubense se destacou no cenário nacional desde os anos 70. Com isso Itajubá também perdeu sua influência junto a importantes setores políticos do país, que poderiam alavancar a cidade.

Nenhum prefeito da cidade também conseguiu fazer com que Itajubá desse um salto economicamente falando desde os anos 80, projetos de desenvolvimento não foram adiante e a cidade não teve uma expansão industrial tão forte como as outras.

Outro fator que contribuiu para que cidades como Varginha e Pouso Alegre tivessem expansão maior no final do século XX foi a infraestrutura, graças à geografia. Em 1961, com a finalização da Rodovia Fernão Dias, uma das mais importantes do país, as duas cidades passaram a ser caminho para poder escoar muito mais fácil toda a produção industrial e agrícola e a economia cresceu. Itajubá, apenas com a BR-459, se tornou um caminho muito mais difícil. Com a duplicação da Fernão Dias, em 2002, Pouso Alegre soube aproveitar ainda mais deste benefício e aumentou muito sua economia, assim como outras cidades à beira da rodovia, como Extrema, que hoje tem economia maior do que Itajubá.

Itajubá, encravada entre as montanhas da Mantiqueira, tem menos espaço para crescimento urbano do que tiveram e ainda tem Pouso Alegre e Varginha, por exemplo, que estão situados em vales e tem maiores áreas planas. Itajubá chega aos 200 anos ainda como peça importante no sul do Estado, mas já foi muito mais relevante para a conjuntura total do que é hoje. 


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