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Suposta aparição de disco voador assustou Itajubá em setembro de 1967

13/03/2019 às 15:08

Por Marco Antonio Gonçalves

Grande parte da cidade avistou pontos luminosos sobrevoando o Pinheirinho; repórteres e especialistas de São Paulo vieram à cidade para averiguar as aparições

Uma série de supostas aparições de discos voadores intrigaram os moradores de Itajubá, em 1967. Essas aparições, vistas por muita gente na cidade, atraíram repórteres e especialistas de São Paulo para Itajubá, então com pouco mais de 50 mil habitantes.

As supostas aparições que chamaram atenção aconteceram nos dias 19 e 20 de setembro de 1967. Naquela ocasião, um objeto não identificado esférico e luminoso foi visto por observadores de um grupo do Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual Unifei, sobrevoando o loteamento Pinheirinho, hoje bairro com o mesmo nome.

Os óvnis já estavam sendo observados no dia 19 de setembro daquele ano por membros do Geoani (Grupo de Estudos de Objetos Aéreos Não Identificados) formado por professores e alunos do Instituto Eletrotécnico de Itajubá, atual Unifei.

Entretanto, no dia 20, por volta das 23h, um curto-circuito deixou Itajubá às escuras, facilitando assim que uma grande parte da cidade pudesse avistar o fenômeno. Segundo relatos da época, era uma esfera luminosa, que se dividiu ao meio, formando duas esferas. De dentro dessas esferas, saíram três calotas menores, que então sumiram atrás do morro. Logo depois regressaram e uma única esfera se formou. Depois, vários pontos luminosos se formaram e foram vistos até às 3h30.

Uma caravana de 52 carros foi até o Pinheirinho para avistar mais de perto o suposto disco voador. E conseguiram avistar os pontos luminosos, mas sem saber do que realmente se tratava.

 

Reportagens

Uma nota do Jornal O SUL DE MINAS de 24 de setembro noticiava o fato. “Povo viu disco voador em Itajubá”, era o título. “Na quinta-feira, a cidade foi tomada de pânico pela notícia de um disco voador nas proximidades do loteamento do Pinheirinho”, diz a nota. O jornal, em tom descrente, afirma que dezenas de pessoas estiveram no local não avistaram o disco, mas uma luz. “Ouvindo dezenas de pessoas que lá estiveram, nada se constatou, além da observação de uma luz vermelha, parecendo um farol de um carro, vista a distância. Na verdade, ninguém viu disco voador”, informa cético o jornal.

A mesma edição disse, em outra reportagem, que o fato ajudou o empreendimento de BPS, já que “milhares”, segundo essa outra reportagem, conheceram o Loteamento Pinheirinho para ver o Óvni. 

Na semana seguinte, na edição de 1 de outubro, o jornal deu mais destaque ao fato, devido a sua repercussão. Desta vez, em tom menos incrédulo, a reportagem foi ouvir o grupo Geoani.  

“Infelizmente, mesmo vendo a preocupação com que os governos das grandes potências nomeiam comissões e investem elevadas somas, o povo ainda não tomou consciência da verdade sobre as aparições, chegando mesmo a fazer “blague” quando um cidadão diz ter visto um desses objetos estranhos”, diz a reportagem.

A matéria diz que há incidências dessas aparições na região. “A verdade é que existem (óvnis) e a incidência de aparições no Brasil caminha inapelavelmente para a Mantiqueira, tanto do Vale do Paraíba, como da região sul mineira e com especial menção à cidade de Itajubá”, sentencia a matéria de outubro de 1967.

 

Diversas aparições

O presidente da Geoani Antonio Magalhães Lisbôa disse à época que Itajubá já havia registrado diversas aparições de óvnis nos meses anteriores. “Nossa cidade tem sido objeto de observações por parte dos óvnis e somente no mês de agosto (de 1967) foram constatadas 26 observações entre pontos de luz e objetos com forma definida”. Ainda segundo o presidente, em setembro, já haviam 12 casos confirmados. 

Os membros do Geoani, professores e alunos do IEI, além de outras pessoas, faziam as observações do alto do prédio do instituto no Centro. As observações eram feitas com binóculos e lunetas e assim que constatadas, uma rede de pessoas eram comunicadas, para, se possível, ir até as proximidades de onde o objeto foi visto.

Lisbôa ainda acrescentou que os discos voadores eram reais e que não poderia ser classificadas como alucinações ou fenômenos meteorológicos. O presidente do grupo lamentou que o “espírito gozador do brasileiro” atrapalhasse o maior número de informações relevantes sobre o caso.

 

Repercussão

O caso ficou famoso e a assunto chegou até São Paulo. Uma equipe de repórteres do jornal Diário Popular, da capital paulista, esteve em Itajubá para averiguar os fatos. Conversaram com membros do grupo de observadores e foram até casas próximas ao local para conversar com os moradores. Um deles confirmou ter visto “uma bola de futebol luminosa” próximo à sua casa, mas que, com medo, correu para dentro da residência e se trancou. Nas semanas seguintes, não há registro nas edições do Jornal O SUL DE MINAS de que as aparições voltaram a ocorrer.

 

Testemunha ocular

O aposentado Carlos Mauro Carneiro Fernandes, de 62 anos, é uma das centenas de testemunhas do fenômeno que aconteceu em 1967.

Fernandes lembra que por volta das 22h, deu uma ventania e acabou a energia elétrica da cidade inteira. A ventania, segundo ele, vinha da direção de onde estavam as luzes. A polícia então resolveu ir até o local para verificar o que realmente eram as luzes. A polícia junto com algumas pessoas chegou próximo ao local, mas ninguém quis se aproximar demais. “Aí que veio o medo”, diz o aposentado. Ele resolveram voltar e aí as luzes pequenas entraram dentro da grande e sumiram. A luz ficou no morro até a madrugada.

A repercussão na cidade foi muito grande, conta a testemunha. “Todo mundo comentou por semanas isso, mas acabou se perdendo na história e agora com a reportagem relembramos”.

O aposentado não sabe exatamente o que viu naquela noite de setembro de 1967, mas garante que viu. “Mais de 300 pessoas viram, não foi alucinação. Tanto que foi notícia até em São Paulo”

 

Onda ufológica

A Serra da Mantiqueira é um dos locais mais propícios para avistamentos de Óvnis, dizem os ufólogos. E a aparição das luzes em setembro de 1967 não veio sozinha. Há relatos de diversas outras aparições naquele mesmo período, o que os ufólogos chamaram de onde ufológica de Itajubá.  

Em artigo publicado na Revista Ufo, especializada no assunto, o ufólogo Cláudio Tsuyoshi Suenaga cita os fenômenos ocorridos na cidade. Ele teve acesso a relatórios do Geoani e a pesquisas do professor Hélio Mokarzel.

“No segundo semestre de 1967, a cidade e outras regiões do sul de Minas foram palco de uma espetacular onda ufológica – estranhos objetos voadores podiam ser vistos freqüentemente”, diz o artigo.

Um dos primeiros fenômenos ufológicos na cidade tratou-se de um contato de terceiro grau, quando se avista seres, ocorrido na madrugada fria de 05 de junho de 1967. Eram cerca de meia-noite e meia quando o motorista Geraldo Baqueiro retornava do Rio de Janeiro conduzindo uma ambulância. “A viagem, que até então era tranquila, foi interrompida à três quilômetros do alto da serra por uma luz vermelha que, a primeira vista, nada mais era do que a luz traseira de um caminhão. Contudo, à medida que a luz foi se aproximando, e piscava, o motor da ambulância começou a falhar. Isso foi acontecendo gradativamente, até que, em uma curva no alto da serra, ele parou por completo. Ao mesmo tempo, o rádio emudeceu e os faróis apagaram. Nesse instante, Baqueiro notou diante de si, flutuando a uns cinco metros de altura, um disco voador branco e metálico, redondo, com cerca de 15 m de diâmetro”, diz o artigo.

O Jornal O SUL DE MINAS daquela semana chegou a dar uma nota sobre o fato, mas não deu credibilidade à informação do motorista, que afirmou depois ter vistos seres estranhos.  “Através de um visor semelhante a um para-brisa, alguns seres, que lembravam figuras de gatos com porte de homens, observavam o motorista atentamente”, conta o ufólogo em seu artigo. Depois, o objeto pôs-se a subir, desaparecendo no horizonte por trás da montanha. Logo em seguida, os faróis da ambulância reacenderam, o rádio voltou a funcionar e o vento cessou. Temendo que o julgassem louco, Baqueiro confiou o relato somente à sua esposa, porém, os vizinhos logo ficaram sabendo. “O fato chegou ao conhecimento do professor Hélio Mokarzel, do Geoani, que submeteu Baqueiro à hipnose, desta forma foi possível apurar os acontecimentos”, afirma o artigo da Ufo.

 

Outros fenômenos em Itajubá

Depois no dia 3 de agosto, outro fenômeno aconteceu em Itajubá.  Um morador da cidade observou um objeto em forma de disco realizando evoluções em movimento oscilatório. “Com o auxílio dos binóculos, ele pôde notar que o ufo descia em direção ao Anhumas, ao sul de onde se encontrava. Naquela mesma tarde, entre 14:00 e 15:00 h, o funcionário público federal Reinaldo Flores avistou uma “bacia metálica voadora”, como descreveu, que emitia um forte zumbido e saiu do Anhumas em ascensão inclinada”, descreve o artigo.

Segundo a revista, o Geoani, em investigações feitas in loco, constatou que realmente foi ouvido um forte zumbido naquele dia. Outra testemunha, inclusive, afirmou que, ao mesmo tempo, viu uma “coisa amarela” subir em direção ao céu. Então, considerando os vários depoimentos, o grupo concluiu que o objeto teria pousado ou permanecido pairando no ar, a baixa altura, por cerca de 40 minutos.

Mais tarde, em 10 de agosto de 1967, um morador do Bairro do Cruzeiro, e mais quatro pessoas de sua família viram um objeto metálico que, de acordo com seu trajeto, mudava repentinamente de cor e direção. “O estranho aparelho estava a uma altura aparente de 50 m e também emitia um forte zumbido”, diz o artigo. Ante da aparição no Pinheirinho ainda foi avistada três esferas no Bairro Varginha.


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