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Notícia sobre Itajubá estar entre as 20 cidades mais felizes do Brasil trabalha com dados de 2010 e não tem base científica

31/07/2018 às 16:31

Por Alessandra Bortoni Ninis, Doutora em Políticas Públicas e Desenvolvimento (UnB)

A replicação de uma reportagem da Revista Bula por um portal de notícias da cidade de Itajubá com a assinatura da Secretaria de Comunicação da atual gestão e que mostra a cidade de Itajubá na 85ª posição no ranking das cidades mais felizes do Brasil, causou estranheza aos internautas nas redes sociais.  A notícia replicada pela prefeitura de Itajubá é baseada em dados do Senso 2010 e IDH de 2013. Vários internautas contestaram o ranking, comentando sobre a grave crise econômica do País, aumento do desemprego, segurança e qualidade de vida.

A publicação da revista Bula baseia-se no Atlas de Desenvolvimento Humano, publicado em 2013, mas com dados referentes aos censos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1991, 2000 e 2010. "É importante lembrar que a seleção, embora baseada em dados estatísticos, não tem intenção de ser definitiva, tampouco segue padrões científicos de análise. As cidades estão organizadas em ordem alfabética, sem obedecer a critérios classificatórios”, observa a autora do artigo de Bula.

Vários fatores podem explicar porque a percepção geral dos itajubenses sobre o município atualmente não condiz com a notícia veiculada pela Revista Bula e replicada no portal Itajubá. O primeiro é que os dados analisados mostram resultados de “agrupamentos de dados” e não “indicadores isolados e comparados”. Segundo, as percepções de 2010 e 2013 dos dados oficiais não condizem com as percepções da realidade de hoje, sobretudo nos casos de emprego, renda, oportunidades e segurança.

De fato, os reflexos do desemprego, qualidade de vida e saúde nos Estados e municípios, nos dois últimos anos são muito diferentes dos dados colhidos pelo Senso de 2010. A pesquisa inédita “Indicadores de referência de bem-estar do município de Itajubá – 2016” realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) revela a percepção dos moradores de Itajubá sobre diversos temas como: saúde, educação, segurança, acessibilidade e meio ambiente, e demonstra que a avaliação socioeconômica do município não permitiria classificar a cidade numa posição tão privilegiada no ranking de “Felicidade” (<goo.gl/MWZEUE>)

A pesquisa ouviu moradores dos diversos bairros de Itajubá e elaborou um ranking de 1 a 10 (sendo 1 muito ruim e 10 muito bom) sobre a percepção dos temas acima mencionados. De modo geral, os serviços foram avaliados de ruim a mediano conforme os seguintes exemplos: qualidade dos passeios públicos: 3,9; prioridade transporte coletivo: 3,6; vagas de trabalho para população mais necessitada: 4,3; vagas em abrigo para populações de rua: 3,9; proximidade a centros de cultura: 4,3; igualdade aos serviços de saúde: 4,1; igualdade ao acesso a emprego: 4,1; política de urbanização dos bairros: 4,1; soluções para moradia em áreas de risco: 3,8: proteção à infância e adolescência: 5,3; políticas de primeiro emprego para a juventude: 4,7; espaços culturais para juventude: 3.8; frequência a espaços de lazer: 3,8; despoluição dos rios: 4,8; tempo de marcação de consultas no SUS: 3,5; segurança geral: 4,9; programas para a terceira idade: 4,0.

Em matéria de segurança, Itajubá é a 89ª cidade no ranking estadual de número de assassinatos, num conjunto de 853 munícipios. O número de suicídios cresceu de 4,4 em 2008 para 7,3 em 2013, maior que a média nacional de 5,1 óbitos por 100 mil habitantes, o que revela a crescente insatisfação com as condições de vida da população. (Sistema de Informações sobre Mortalidade <goo.gl/sFkMMC>).

A despeito de transferências governamentais anuais para o município serem crescentes, passando de R$ 23.402.939,86 em 2008, para 38.889.280,86 em 2017, seus benefícios não foram sentidos pela população, conforme a avaliação de regular a ruim da maioria dos serviços públicos, apontados na pesquisa da  Unifei (Itajubá está entre os 30 municípios mineiros que mais recebem repasses de recursos federais - <goo.gl/1eFfju>). 

Os indicadores isolados do IDH municipal (2013) demonstram que Itajubá teve um decréscimo significativo em “expectativa de anos de estudo”, tendo caído de 10,39 anos em 2000 para 9,48 em 2010, voltando a patamares de 1991. Esse desempenho negativo contrasta com seu “status” de cidade universitária e reflete diretamente no emprego da juventude e na segurança pública. Assim, ao comparar os dados de jovens com mais de 20 anos com ensino médio completo é notável o baixo crescimento de Itajubá (49,4%) Pouso Alegre (50,7%) e Poços de Caldas (52,2%) e Maria da Fé (49,2%).

Na área de geração de postos de trabalho, o IDHM (2013) mostra que a população ocupada de Itajubá (30,4%) foi ultrapassada por Pouso Alegre (37,2%), Poços de Caldas (34,5%) e até Santa Rita do Sapucaí (32,7%). Nesta linha, uma população vulnerável retorna à situação de pobreza, também maior que estas cidades. Isso agravou a situação de Itajubá, a partir da crise de 2016, afetando a percepção de bem-estar social da população, conforme demostrado pela pesquisa da Unifei.

Segundo a Avaliação Nacional de Transparência, Itajubá aparece na posição de 3.858 no ranking nacional que avalia 5.570 municípios brasileiros. Em Minas Gerais, a cidade está no 499º lugar. O levantamento avaliou os portais da transparência dos municípios e brasileiros, em duas etapas. A nota itajubense foi 2,40 na primeira e 2,10 na segunda. As avaliações ocorreram em 2015. O Ministério Público Federal divulgou rankings estaduais e nacional e expediu mais de 3.000 recomendações aos entes federados para sua adequação às Leis de Transparência (<goo.gl/Yu34gt>).

Dados da Fundação João Pinheiro revelam aumentos, por exemplo, do valor de transferência e impostos mensal para alimentação escolar, de 47 milhões de reais em 2008 para 125 milhões em 2018 (valores de referência: junho), porém, atendíamos em 2008, 7.446 crianças e em 2018, 5.484 crianças. Ou seja, uma diferença orçamentária significativa para um número menor de alunos. Também ampliamos o gasto para saúde per capita de 96,57, em 2008, para 298,76 em 2018 e, mesmo assim, a avaliação municipal quanto ao acesso aos serviços de saúde continua numa média de 4 pontos, ou seja, avaliado como regular a ruim (<goo.gl/kPsFqk >).

As transferências em bolsa família em Itajubá, apesar de aumentar entre 2010 e 2018, de 298 mil para 575 mil, diminuiu de 3.413 para 3.148 famílias atendidas, mesmo estando em plena crise e com um alto índice de vulnerabilidade social. 


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