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Mercado da construção civil está aquecido, dizem especialistas

09/11/2011 às 13:07

Por Eduardo Silva

É visível. A indústria da construção civil vai bem, obrigado. Basta uma volta, perto de sua casa, para reconhecer o aquecimento do mercado imobiliário.

Diversas unidades habitacionais de dois, três ou mais quartos são anunciadas, construídas e vendidas nos mais diferentes bairros da cidade e região. A escalada da oferta de imóveis vem junto com o crescimento exponencial do preço das unidades.

A grande demanda por casa própria, principalmente junto à população de baixa renda (segmento com maior carência), e as obras de infraestrutura devem garantir efervescência até a Copa do Mundo de 2014. Se no ano passado o crescimento foi de 11%, a maior já registrada desde 1986, época do Plano Cruzado, a estimativa, segundo especialistas, é que este ano o Produto Interno Bruto (PIB) do setor atinja 8%.
Segundo o arquiteto Júlio Cesar Lopes Lima, que atua em Pouso Alegre, trata-se de um ato natural, regido pela necessidade de sair do aluguel. Ter casa própria, informa, é sonho de quase todos e, para isso, usam-se os recursos à disposição. Os empresários do setor, cientes disto, focam bastante neste nicho ajudados pelas taxas de juros mais acessíveis e pelos polpudos investimentos do Governo através do projeto “Minha casa, Minha vida”.
O atual estágio de crescimento do setor imobiliário torna-se mais evidente quando recorremos às outras informações obtidas para esta reportagem. “Itajubá está se destacando nesse setor e o município vem acompanhando o crescimento do País. De uns cinco anos para cá, novos loteamentos surgiram, como o Novo Mundo e a expansão do bairro Anhumas – que  está com ruas novas – além de demolições de casas antigas que estão acontecendo na cidade”, informa o engenheiro civil, Luciano Bonafé. “Sem dúvida, Pouso Alegre passa por um momento positivo, nosso crescimento deverá ficar entre 40% e 50% em relação aos anos anteriores”, reforça Sebastião Foch Kersul, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias da Construção Civil do Sul de Minas (Sindiconsul).

Customização

Outros fatores que ajudam a compreender a situação são a valorização de terrenos e a disparada dos preços capazes de fazer o consumidor optar por unidades habitacionais menores. “A customização já está acontecendo também em cidades do interior, como as do Sul de Minas”, diz Antonio Mohallem, da Mohallem Engenharia Limitada (MEL), construtora com obras em Itajubá, Santa Rita do Sapucaí, Pouso Alegre e que está a caminho de Varginha. A opinião é compartilhada por Júlio  Lima. Para driblar os espaços cada vez menores, a construção de apartamentos personalizados está ganhando mercado no setor imobiliário. “Como toda customização, seu custo é restritivo à popularização e, portanto, atinge as classes média e média alta. Isso já existe aqui, mas com a extrema elevação nos custos da obra, passa a ser item de venda para uma minoria, sem, no entanto, deixar de ser sonho de consumo. Afinal quem não quer ter seu cantinho com a sua “cara”?”
Algumas construtoras oferecem aos clientes a possibilidade de escolher, por exemplo, ter só um quarto em vez de dois para ampliar a sala ou ter uma cozinha americana no lugar da convencional. Para ilustrar as informações, os imóveis têm tamanho entre 70 m² e 100 m² e apenas o banheiro é entregue com espaço já delimitado. Os demais cômodos e as metragens são definidos pelo futuro comprador. Quem preferir pode ainda comprar outras e juntar os espaços.

Falta mão de obra qualificada

Apesar de o mercado de construção civil estar aquecido, especialistas ressaltam outros itens. Um deles é a carência de profissionais capacitados, sem falar dos salários que foram puxados para cima. “O mercado está hiper aquecido, para lá de bom, mas falta mão de obra qualificada em todas as áreas, como um bom encanador, eletricista, pedreiro, servente, pintor”, diz Amilton Batista de Carvalho, mestre de obras, que atua no ramo há mais de 30 anos . “Com cursos técnicos, a mão de obra seria mais valorizada”, reforça Antonio Silvino dos Santos, também mestre de obras, que já trabalhou em São Paulo e no interior paulista. Atualmente, na região, a diária de um pedreiro gira em torno de 100 reais – valor este que pode, por exemplo, ser extensivo a um pintor. Outro dado é referente ao preço dos materiais. Enquanto na capital mineira, o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m²)  subiu 0,12% em janeiro de 2010 com relação a dezembro de 2009, no Sul do Estado não houve uma significativa majoração de preços. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução dos preços de materiais de construção, mão de obra, despesas administrativas e aluguel de equipamentos. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), de acordo com a Lei 4.591/64 e com a Norma Técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Com qualificação, para justificar os altos salários, está muito difícil a contratação de funcionários. Os empresários têm recorrido à mão de obra das cidades circunvizinhas da região. Um bom negócio para ambos já que nesses municípios a demanda por serviços não lhes garante um fluxo constante, além da baixa remuneração, e os empresários conseguem reduzir seus custos. “Para suprir o mercado com mão de obra qualificada o sistema SESI/SENAI/FIEMG e iniciativas individuais localizadas têm oferecido cursos, inclusive de educação básica (vide alfabetização), pois se o profissional não souber "ler" uma planta, pouco vale saber executar um serviço. Somente obras grandes têm engenheiro e/ou arquiteto residente ou um mestre de obras responsável por determinar o que e como algo deve ser executado a qualquer hora e tempo”, enfatiza Júlio Lima.

Burocracia

Fatores como crescimento do crédito imobiliário são determinantes para alavancar a construção civil. Na prática, esclarece Sebastião Foch, existem um gargalo de trabalhadores pouco qualificados, falta treinamento para a mão de obra interessada em atuar na construção civil e tem a máfia das ações trabalhistas, cujo único interesse é prejudicar e retirar dinheiro dos construtores. Luciano Bonafé defende a criação de cursos técnicos para formação de pedreiros, armadores, carpinteiros, eletricistas, para, entre outras funções, quantificar os materiais.
Mais do que colher bons frutos durante o ano, o momento é oportuno para driblar os desafios. Um deles é quanto ao processo burocrático que rege as relações produtivas no Brasil. O resultado é um engarrafamento que, em vez de promover o funcionamento das instituições, tem o efeito contrário. “Hoje a pré-análise de um projeto leva cerca de 15 dias para ser liberado pela prefeitura”, reclama Luciano Bonafé. Dados fornecidos pela Secretaria de Planejamento da prefeitura de Itajubá indicam que em 2010, de janeiro a dezembro, dos 811 projetos analisados, 588 foram aprovados – 33 deles eram populares. Como efeito comparativo, de janeiro a setembro deste ano, a prefeitura já recebeu 628 projetos para análise, sendo que 473 ganharam o registro de aprovados.
Se o processo para liberação da planta demanda tempo, outro fator que incomoda é em relação aos equipamentos de segurança. “Há casos de trabalhadores que usam capacete, luvas, botas para sua própria segurança apenas em frente à chefia”, diz o mestre de obras Antonio Silvino.

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