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FIEMG aponta que indústria mineira segue desaquecida

04/11/2016 às 09:25

Por Gustavo Cortez

Pesquisa mostra queda no faturamento real de 11,5%, comparado com mesmo período do ano passado

Segundo dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), o faturamento real da indústria aumentou 1,1% no mês de setembro, frente a agosto, retirados os efeitos sazonais. Quando a base de comparação é setembro de 2015, o indicador caiu 11,5%. É o que mostra a Pesquisa Indicadores Industriais de Minas Gerais (INDEX) divulgada no dia 1°/11, pela FIEMG.
“Há uma queda muito pequena no ritmo do faturamento da indústria de Minas com uma tendência de estabilidade. Ocorre, que em agosto tivemos uma queda significativa no faturamento de 4,5%. Em setembro, dada essa base de comparação fraca, os indicadores apontaram esse crescimento (1,1%)”, justificou o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes.
A pesquisa aponta ainda que no acumulado de janeiro até setembro, a variável recuou 11,8% e, nos últimos 12 meses, o declínio foi de 14,3%. Para o presidente, a expectativa é de que 2016 seja realmente um ano muito fraco para a indústria mineira. “Esperando que os últimos três meses não gerem  uma recuperação significativa, devemos fechar o ano com queda de 11,5%”, disse.
 Setores
No acumulado do ano, o setor de veículos automotores mostrou a maior variação negativa (-41,8%) e também a maior influência negativa, de 8,42 pontos percentuais. Já o faturamento real do setor extrativo cresceu 5,4% entre janeiro e setembro de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado. O acréscimo foi explicado pelo aumento nas exportações, motivado pela melhora do preço internacional.
O setor de máquinas e equipamentos vem apresentando queda expressiva nos indicadores ao longo de 2016. No período entre janeiro e setembro, em relação aos mesmos meses de 2015, o faturamento real registrou recuo de 25,3%, em função do decréscimo nas vendas para o mercado interno e nas exportações.
O emprego registrou queda em todas as bases de comparação analisadas. Retirados efeitos sazonais, o indicador recuou 1,3% em setembro, contra agosto. Em relação a setembro de 2015, a variável apresentou decréscimo de 5,7%. No acumulado do ano, a retração foi de 8,3%, e nos últimos 12 meses, houve diminuição de 8,8% na variável.
 Sondagem
A Sondagem Industrial de Minas Gerais indica que a atividade industrial voltou a recuar. A utilização da capacidade efetiva abaixo da usual para o mês e a contração no emprego reforçam o cenário negativo.
Em setembro, o indicador que mede a produção industrial caiu para 46,3 pontos, retornando ao intervalo que indica contração na produção, após ter ultrapassado a linha dos 50,0 pontos no mês anterior. Os empresários permanecem insatisfeitos com a margem de lucro, com as condições de acesso ao crédito e com a situação financeira da empresa. Os principais problemas enfrentados pelas empresas continuam sendo os mesmos apontados na última pesquisa: a alta carga tributária, a demanda interna insuficiente e as taxas de juros elevadas.
Expectativas
Para os próximos seis meses, as expectativas contemplam aumento na demanda, manutenção nas compras de matérias-primas e quedas tanto na quantidade exportada, quanto no emprego. “As grandes empresas já têm uma expectativa de demanda por seus produtos. E a partir do momento em que elas aumentam sua produtividade, puxam as menores e impulsionam toda a economia”, diz a economista Annelise Rodrigues Fonseca.
O índice de expectativa em relação ao emprego permanece abaixo da linha dos 50,0 pontos em outubro (46,1 pontos), sinalizando que os empresários esperam reduzir o número de trabalhadores nos próximos seis meses. Esse índice foi 7,6 pontos superior ao apurado em outubro do ano passado (38,5 pontos), indicando moderação no ritmo de demissões.
Com a elevada ociosidade do parque industrial e com as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas, a intenção em investir continua oscilando em patamares inferiores à média histórica. O índice de intenção de investimento para os próximos seis meses continua em patamar baixo em outubro (41,1 pontos), inferior à sua média histórica (43,1 pontos).
Já o índice das grandes empresas (52,8 pontos) melhorou significativamente frente ao mês anterior (43,9 pontos), quando atingiu o segundo menor valor da série histórica, iniciada em novembro de 2013.


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