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Bispo e Padres são presos acusados de desvio de dinheiro em diocese de Goiás

26/03/2018 às 16:38

Eles são acusados de se apropriar de dinheiro oriundo de dízimos, doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos

O bispo de Formosa, em Goiás, Dom José Ronaldo Ribeiro, foi preso na manhã da última segunda-feira, dia 19 de março, durante operação do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) contra desvios de recursos na Igreja Católica na cidade de Posse e em duas cidades do Entorno do Distrito Federal, Formosa e Planaltina.  

Além do bispo, foram presos quatro padres, um vigário-geral, um monsenhor e dois funcionários da parte administrativa da diocese. Eles são acusados de se apropriar de dinheiro oriundo de dízimos, doações, arrecadações de festas realizadas por fiéis e taxas de eventos como batismos e casamentos. O desvio pode chegar a R$1 milhão.

O grupo utilizou dinheiro de dízimo e doações de fiéis para a compra de fazenda de criação de gado, casa lotérica e caminhonetes. Além de residências e igrejas, um mosteiro foi alvo da investigação. Houve apreensão de dinheiro no fundo falso de um guarda-roupa do monsenhor detido. 

Investigação

A investigação foi iniciada em 2015 pelo MP-GO a pedido de 30 "leigos católicos apostólicos" que denunciaram irregularidades e uso indevido de bens da Igreja Católica por parte da direção da Cúria Diocesana de Formosa.

Em dezembro de 2017, fiéis denunciaram que as despesas da casa episcopal de Formosa, onde o bispo mora, passaram de R$ 5 mil para R$ 35 mil desde que Dom José Ronaldo assumiu o posto, havia três anos. Dom José Ronaldo alegou na época que não tocava no dinheiro e que não houve o pedido, por parte do grupo, para a apresentação de contas.

Quando as denúncias dos fiéis vieram à tona, o bispo convocou um padre de sua confiança, que tinha as funções de juiz eclesiástico, com o objetivo de intimidar testemunhas, afirma o MP-GO. "Esse juiz eclesiástico pressionou os padres para que nada fosse relevado e eles jurassem fidelidade ao padre. O bispo e o juiz eclesiástico, com a ajuda de um advogado, elaboraram um relatório falso no qual se afirma que as despesas da arquidiocese eram menores do que de fato são", disse o promotor Chegury ao Portal Uol.

Em Minas Gerais

Em Minas, Dom José Ronaldo assumiu a Diocese de Janaúba em agosto de 2007, logo depois de ser nomeado bispo pelo papa Bento XVI. Em 2010, depois de ter nomeado um irmão para a gerência de Finanças da Diocese de Janaúba, surgiram denúncias de irregularidades na movimentação de recursos. 
Segundo informações policiais de Janaúba, houve também naquela diocese uma aumento muito grande de despesas da Casa Episcopal, mas ninguém teve coragem de fazer a denúncia. O bispo negou a acusação de desvios, que atribuiu a pessoas que, segundo ele, agiam de “maneira orquestrada como forma de desestabilizar sua gestão. “Estou em paz. Tenho dado o melhor de mim para a evangelização na diocese”, declarou dom José Ronaldo, em entrevista a um jornal local, quando Janaúba recebeu a visita do núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri. As suspeitas não foram investigadas. 
Segundo o Jornal Estado de Minas, surgiram ainda denúncias de que jovens que moravam com dom José Ronaldo na Residência Diocesana estavam furtando bolsas e carteiras dos fiéis dentro da igreja. Ele voltou a negar as acusações. Houve filmagem de um furto, um inquérito teria sido aberto, mas a investigação não teve nenhum desfecho. Em novembro de 2014, dom José Ronaldo foi transferido pelo papa Francisco para Formosa. 

O Jornal O SUL DE MINAS entrou em contato com a assessoria da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que enviou uma nota onde o Secretário-Geral da CNBB Dom Leonardo Ulrich Steiner, bispo auxiliar de Brasília, manifesta solidariedade com o presbitério e os fiéis da diocese. “Diante da prisão do bispo da Diocese de Formosa no estado de Goiás, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB manifesta a solidariedade com o presbitério e os fiéis da Diocese, recordando ao irmão bispo que a justiça é um abandonar-se confiante à vontade misericordiosa de Deus. A verdade dos fatos deve ser apurada com justiça e transparência, visando o bem da igreja particular e do bispo. Convido a todos os fiéis da Igreja a permanecermos unidos em oração, para sermos verdadeiras testemunhas do Evangelho, diz a nota da CNBB. 

Na quarta-feira, dia 21, o Vaticano interveio. A Nunciatura Apostólica publicou um comunicado sobre o processo de acompanhamento da situação atual de pastoral e de governo da Diocese de Formosa.

O Papa Francisco nomeou o arcebispo de Uberaba, Dom Paulo Mendes Peixoto, como administrador apostólico da Diocese de Formosa. Segundo a Nunciatura, ele auxiliará nas atividades das paróquias da região até que seja nomeado um novo bispo. Após ser nomeado, Peixoto escreveu, em um comunicado, que está "feliz com a confiança, mas preocupado com os desafios que, certamente, terá de enfrentar".

 


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